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terça-feira, 28 de abril de 2009

O Sonho


Eu nunca lembro dos meus sonhos. Mas sei, a partir do que ouço e das poucas vezes que consegui acordar no meio de um pesadelo, com alguns de seus trechos ainda vivos na memória, que, quando se está sonhando, a nossa realidade é o sonho. A nossa vida, durante aqueles momentos, é o que se passa no sonho. Aquela é a nossa realidade.
O sonho de uma noite nos parece algo sem importância, muitas vezes. Não significa nada. É tão efêmero, que não importa se é um sonho bom ou um pesadelo. É algo que passa rápido e de onde nada podemos trazer para o mundo real.
Mas o que é a vida? A vida, na verdade, não passa de um grande sonho. Um sonho que dura 80 anos em média. E, por mais que vivamos como reis ou como mendigos, nada levamos desse tempo para o além.
O filme “Vanilla Sky” é bem ilustrativo do quanto a vida pode se confundir com um grande sonho. Sem querer estragar o prazer da surpresa aos que não a assistiram àquela excelente película, gostaria apenas de relembrar uma cena do filme em que, em um determinado momento, aparece para o protagonista (interpretado por Tom Cruise) um carinha que o informa que aquilo tudo que ele via ao seu redor não passava de um sonho e que ele precisaria morrer para, então, acordar daquele sonho. Bizarre!, como diriam os franceses. Acreditar ou não? Não vou contar o que ele decidiu. No entanto, gostaria de divagar e pensar que aquela afirmação está diante de cada um de nós neste momento: “Tudo que você está vendo agora à sua volta não passa de um sonho, do qual você só acordará quando morrer”. O que isso mudaria na nossa perspectiva de futuro; na nossa maneira de encarar a vida?
Porque, se somos seres eternos (e eu creio desta forma), a vida não passa mesmo de um grande sonho, que passa muito rápido. O que importa mesmo é a realidade que só se nos descortinará quando morrermos.

sábado, 25 de abril de 2009

Flexão: o primeiro passo



“Penso, logo existo”. Essa frase intrigante do matemático e filósofo francês René Descartes sintetiza a essência da existência humana: a capacidade de pensar. O homem passa a vida toda se questionando: “quem sou eu?”, “de onde vim?”, “para onde vou?”, “qual é o sentido da vida?”. E, a não ser pela fé, a limitação humana não alcança as respostas. Assim é o homem: um caminhante numa noite escura que não dispõe senão de uma pequena vela para alumiar uma pequena porção do seu caminho.
Daí o nome do Blog: Flexo. Flexo de flexão. Flexão sim, e não reflexão; afinal, o pensamento humano se fundamenta em bases tão instáveis, inseguras que não ouso falar em “reflexão”. Reflexão denota um processo mais elaborado da mente, que, na minha opinião, nunca chega a acontecer, pois, como castelos de areia, toda proposição se esvai, se dissolve e, ao se retornar àquele pensamento, ele já foi levado pelo vento.
Ainda assim, como qualquer ser humano, me proponho a pensar, a refletir; aliás, a fletir tão somente. E, flexo (e - eu diria - genuflexo), estabeleço pela fé as balizas para o meu caminho. As minhas balizas não são absolutas; não são universais. Mas são minhas. E, assim, alicerçado nelas, caminho.
“Penso, logo existo”. Eu acrescentaria: “E creio, logo vivo”. É como disse o profeta: "o justo viverá pela fé".