
Não sei quantos já atentaram para a narrativa bíblica, após o momento do pecado de Adão e de Eva: “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gênesis 3:7). O que chama atenção é que, quando o mal invadiu o coração daqueles que foram os primeiros seres humanos, a primeira coisa que viram com maldade foi o sexo. Interessante, não é mesmo? Afinal, por que o primeiro impacto do pecado teria sido a percepção de que estavam nus, já que aquela condição lhes era natural antes? É como se o sexo tivesse passado a ser visto de forma diferente, após a perda da inocência.
Outra coisa que chama atenção é que 90 % (ou até mais) dos palavrões, em todas as línguas, é relacionado ao sexo.
O sexo é, de fato, algo muito forte para o ser humano. Eu ousaria dizer que a visão, o sentimento equilibrado de uma pessoa, no que diz respeito ao sexo, é fundamental para que ela seja mentalmente sadia. Freud, o criador da Psicanálise, defendia uma ligação determinística entre o comportamento humano e as fases em que ele dividiu a primeira infância (de 0 a 6 anos de idade): a oral, a anal e a fálica. É importante observar que, mais uma vez, o determinante nessas fases são os componentes principais da prática sexual.
Segundo Freud, a fixação, por algum motivo, em qualquer uma dessas fases transitórias, define o tipo e subtipo de personalidade, conforme a fase em que ocorreu.
Eu, particularmente, creio que o equilíbrio sexual, muito embora possa ser muito influenciado pela primeira infância, sofre influências decisivas durante toda a vida da pessoa. Por isso, em qualquer momento de nossa trajetória, repressões excessivas (que Freud atribuiria ao predomínio do Superego) ou liberalidade em demasia (que, para o freudianos, significaria uma supremacia do Id) conduzem a um desequilíbrio que o indivíduo tem na percepção do sexo, gerando problemas comportamentais. Ouso mesmo a dizer que boa parte das, senão todas, mentes doentias dos assassinos, dos pedófilos, dos estupradores têm origem nesse desequilíbrio.
Não tenho dúvidas que a sociedade moderna, ao invés de contribuir para que as pessoas encarem o sexo de uma forma mais equilibrada, tem gerado cada vez mais mentes desajustadas nessa área. E é por isso que, na minha visão, a violência, a maldade, a barbárie têm grassado no mundo de hoje.
Adão e Eva, mui sabiamente, perceberam que, quando o pecado entrou no coração do homem, o que deveria ser objeto de maior atenção e cuidado era o sexo. Portanto, sejamos muito diligentes nessa área. Sexo sim, mas com equilíbrio!
